ATR & Nariz Entupido apresentam: Suspensão Voluntária da Descrença
Schedule
Wed, 17 Jun, 2026 at 10:00 pm to Thu, 18 Jun, 2026 at 01:00 am
UTC+01:00Location
DAMAS - Bar • Sala de Concertos | Lisbon, LI
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‘Suspensão Voluntária da Descrença’, mais do que título para organização conjunta de duas noites, nas Damas, da responsabilidade da Associação Terapêutica do Ruído e da Nariz Entupido é a reafirmação de vontades comuns.Já são alguns os concertos entre as duas associações. Mas, o que a nós importa realçar, sem vaidade ou qualquer pretenciosismo, é esta crença cega na possibilidade de um imaginar colectivo. Pensamento partilhado. Acção comum.
E assim, nos propomos a dose dupla, com concertos de Bruna de Moura | Ar Ker | We Use Cookies, no dia 17 de Junho e de Luciana Rizzo | Criptobanda Musical de Paradela do Rio | Mantle of Gets, no dia 18 de Junho. Ambas as noites a começarem pelas 22.00.
BRUNA DE MOURA | Violoncelista, improvisadora, Bruna de Moura desapega-se de qualquer género musical ao explorá-los todos ao mesmo tempo. atualmente é membra de Moura, Má Estrela, URTIQA, canalzero, gabre e Falena - para além de vários outros projetos e colaborações pontuais. Quando toca a solo conduz uma viagem sonora improvisada que mistura o acústico e o eletrónico.
brunamoura.bandcamp.com/album/tr-pico | instagram.com/deadpinkfairy
AR KER | Ker é um prefixo regional que significa ‘local fortificado’, ‘castelo’, ‘cidadela’, depois ‘aldeia’ e, por fim, ’habitação’ — uma viagem entre o xamanismo e a música eletrónica mais intensa.
O projeto de Ar Ker é fruto de um processo de composição solitário, recorre a uma forma de recuo — espacial, mental e emocional — para dar origem a uma música de contrastes, estruturada em duas partes: o Lado A, lento e contido, construído sobre equilíbrios frágeis de ressonância, textura e controlo; o Lado B, mais directo e percussivo, impulsionado pela urgência do gesto e pela intensidade da saturação.
A abordagem é concreta, mas narrativa, baseada em lógicas de sobreposição, desconstrução rítmica e manipulação da duração. A bateria não é aqui um instrumento de marcação do tempo, mas sim um gerador de tensão — física, dinâmica e perceptiva. A interpretação exige um envolvimento corporal total e rejeita o automatismo em favor do confronto directo.
Ar Ker pode ser entendido como uma estrutura de experimentação: um campo fechado com geometria mutável, onde os estados sonoros são continuamente testados e remodelados. Cada peça é concebida como uma microarquitectura — marcada por contrastes de densidade, disjunções temporais e rupturas no fluxo de energia.
sebbrun.com/ar-ker | instagram.com/seb_brun_
WE USE COOKIES | Solo electrónico de Simon Henocq, We Use Cookies molda uma realidade sonora ao mesmo tempo áspera e cativante. O som torna-se uma matéria-prima viva e indomável, explorando as tensões entre o caos e o controlo, as pulsações de electro-noise e as rupturas radicais.
Com uma fisicalidade impressionante, os sons brutos, orgânicos e industriais entrelaçam-se com a exigência da arte acusmática. As camadas sonoras constroem-se, desconstruem-se e dissolvem-se diante dos nossos olhos. A música torna-se uma linguagem física e instintiva, mergulhando o ouvinte numa experiência sensorial intensa na fronteira entre o som e a matéria.
Músico, produtor e artista sonoro, Simon Henocq é também cofundador do coletivo Coax. Os sons crus, provenientes dos ambientes industriais que marcaram o seu percurso atípico, alimentam a sua imaginação e permeiam profundamente as suas criações.
‘Uma configuração central sempre apreciada, cuja música eletrónica requintada e precisa foi um deleite, com som e iluminação de excelência.’
collectifcoax.com/artist/we-use-cookies | instagram.com/simonhenocq/
LUCIANA RIZZO | Artista sonora, música e performer. Vive e trabalha em Buenos Aires. Estudou Composição com Meios Eletroacústicos na Universidad Nacional de Quilmes. Como baterista desde os 16 anos, encontrou seu lugar na experimentação e na improvisação. Tocou em diversos projetos coletivos e, paralelamente, começou a desenvolver um solo set baseado em baterias híbridas, samples, gravações de campo e microfonias, que transita entre canções, ambientes e improvisações. É integrante do Club del Gamelán, um ensemble que interpreta repertório de Bali, Indonésia. Nos últimos anos, dedica-se à produção de documentários sonoros e peças radiofónicas.
FEEDBACK SOLO SET
Os feedbacks são sons selvagens. Não se deixam controlar completamente. Precisam de uma margem de risco para existir. Essa margem tem a ver com a atmosfera, a concentração e com estar presente. Tenho interesse em assumir esse risco. Jogar com os limites.
lurizzo.bandcamp.com | instagram.com/lu.rizz0
CRIPTOBANDA MUSICAL DE PARADELA DO RIO
’Paradela do Rio, 1 de Julho de 1956
Estes tempos de barragens são uma verdadeira era nova do mundo. Qualquer dia, na escola, o mestre aponta o mapa e diz :
- Antes do período albufeirozóico, aqui era o Barroso.’
Miguel Torga, ‘Diário VIII’
Ainda a dar os primeiros passos, a Criptobanda Musical de Paradela do Rio surgiu do querer das gentes de Paradela, onde tem sede. Esta cassete, gravada no coração do Bairro da Barragem de Paradela, inclui 9 peças exclusivamente compostas para a instituição, e apresenta o resultado do primeiro ano de trabalho sob a direcção musical de David Ole. As composições inspiram-se na história e quotidiano da aldeia, cujo carácter tradicional tem vindo a ser desfigurado ao longo da história: desde as pilhagens e a ocupação por tropas francesas no século XIX, passando pela chegada de milhares de trabalhadores para a construção da barragem na década de 1950, ao posterior êxodo rural massivo e, mais recentemente, à fixação de um grupo de músicos, artistas e pensadores que procuram redefinir o seu lugar no mapa cultural contemporâneo. A Criptobanda Musical de Paradela do Rio promove a aceleração efectiva deste longo processo de submissão e erosão da identidade de Paradela, actuando como agente catalisador da sua transformação social, cultural e económica. A sua prática musical centra-se na doutrina Neoharmónica: uma estética em que a tensão e instabilidade se prolongam no tempo, subvertidas por uma lógica de saturação e dispersão que recusa centros e retornos, abolindo a estabilidade prometida pelo acorde dominante, pilar estrutural da música tonal que encena uma ilusão de regresso, de pertença e de lar. A música contida nesta cassete desconstrói radicalmente a tradição popular da música para bandas, dissolvendo-a em texturas instáveis e movimentos erráticos derivados da manipulação e distorção do espectro sonoro.
’(...) e olhando para a nossa História, posso dizer que no geral a capacidade técnica dos nossos instrumentistas continuará a acelerar até atingir uma singularidade, um nível de destreza extrema, tangente ao infinito, a partir do qual não será possível qualquer melhoria. À medida que a personalidade no panorama musical se tornar irrelevante, será desmantelado o culto da expressão individual, que não passa de uma fachada para a mediocridade. O intérprete do futuro erguer-se-á como um monolito, livre das pretensões da performance musical, uma entidade impessoal, desprovida das fraquezas sentimentais que mancham a música há milénios.’[David Ole]
faveladiscos.bandcamp.com/album/dom-nio-total-do-espectro
MANTLE OF GETS | Luke Williams [SKAM Records] volta a enfrentar o vazio no lançamento de música e o desafio dos espectáculos ao vivo, ao vermo-lo abandonar o pseudónimo composto por corantes não azóicos de outrora [Quinoline Yellow] e seguir em frente com o seu novo nome artístico, Mantle of Gets. Com raízes que vão do norte de Londres ao coração do País de Gales, vemos-o agora a abandonar o Reino Unido para se estabelecer na acolhedora Lisboa.
O seu novo trabalho, ‘Mantle of Gets’, transita entre espaços generativos e abstrações abrasivas, medidas precisas e pulsos melódicos velados. No primeiro trimestre de 2021, foi lançada uma cassete concebida por Bhatoptics pela Schematic Music Company, uma das principais editoras de Miami, e registaram-se mais participações especiais na plataforma de streaming esotérica da SKAM Records, a AMKS Live.
É possível explorar as gravações do seu catálogo anterior, sob os nomes Quinoline Yellow e Tatamax, através da conceituada editora de Manchester SKAM Records, da londrina Touchin’ Bass e da sua própria editora, a Uchelfa Recordings. Entre os destaques das suas atuações ao vivo contam-se a já famosa Lighthouse Party da Warp Records, inúmeras festas e festivais da SKAM por toda a Europa e uma digressão pelo Japão há já algum tempo.
mantleofgets.bandcamp.com | instagram.com/mantleofgets
Entrada diária | 06 euros [à porta no dia do concerto]
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Where is it happening?
DAMAS - Bar • Sala de Concertos, Rua da Voz do Operário 60, 1100-621 Lisboa, Portugal, LisbonEvent Location & Nearby Stays:
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